Desporto Formação

Ao terminar mais uma época desportiva, que no presente ano coincide com a realização dos jogos olímpicos de Tóquio, onde teremos uma comitiva de 92 atletas nacionais. Terminará assim a temporada desportiva mais atípica que há memória, principalmente ao nível amador e de formação e, é neste último ponto que me quero focar.

Portugal ao longo dos últimos anos tem obtido um conjunto de excelentes resultados internacionais, nas mais diversas modalidades individuais e coletivas. Desde logo, a canoagem, o judo, algumas variedades do atletismo, o ténis, a natação, o surf, ciclismo, andebol, voleibol, hóquei em patins, futsal, futebol de praia e muitas outras. Não esquecendo a conquista do Euro 2016 de futebol que adicionou uma enorme visibilidade ao desporto nacional.

Importa perceber o porquê destas conquistas terem acontecido, muitas deles, na segunda metade da última década, porquê? Na minha opinião deve-se a três fatores, atleta, clubes e federações. O atleta que neste novo século consegue atinge características fisionomicamente perfeitas, mas também psicologicamente consegue ter uma mentalidade forte e vencedora acima da média. Os clubes que fazem diariamente esforços para conseguirem oferecer as melhores condições para a prática desportiva aos seus praticantes, na maioria das situações com o apoio dos seus municípios. As federações que por sua vez aumentaram a exigência e valorização das suas modalidades, ao criarem Centros de Alto Rendimento ou redefinirem modelos competitivos. Este triângulo contribuiu decisivamente para o crescimento desportivo nacional, confirmado com os bons resultados internacionais.

A pandemia veio interromper subitamente este processo de desenvolvimento, uma vez que, terminou a meio a época 2019/2020 e condicionou o normal funcionamento da época 2020/2021. Nesta última temporada, a situação torna-se mais complexa uma vez que em momento algum existiu normalidade no seu processo de funcionamento e, se algumas modalidades conseguiram funcionar na maior parte do calendário desportivo, outras viram esse calendário muito encurtado e o modelo competitivo alterado, como por exemplo para metade dos jogos ou para competições apenas distritais.

Resumindo, o que escrevi no último parágrafo terá um efeito negativo em duas frentes, são elas, os atletas e os resultados desportivos. Isto é, os jovens atletas com a privação de treinos e convívio com os seus companheiros, terão mais dificuldade no seu crescimento pessoal, físico e mental. O que consequentemente irá afetar diretamente os bons resultados que Portugal vinha a conseguir a nível internacional. Isto porquê, porque estes atletas em muitos dos casos perderam a oportunidade de desenvolver características próprias da idade, fruto da paragem forçada de treinos e competição e, que dificilmente irão conseguir recuperar nos próximos anos, mesmo com o regresso de uma normalidade há muito desejada por todos nós.

Não quero com isto parecer um pessimista na minha reflexão, quero apenas ser realista, tendo em conta os dados disponíveis, dizendo que várias gerações, infelizmente, terão um desenvolvimento mais moroso, quando comparado com o expectável em pré-pandemia. Contudo, as federações, os clubes, os municípios, os agrupamentos escolares, o próprio governo, têm um papel fundamental na manutenção e melhoria das condições já existentes, para que não seja pior o tratamento que a doença.

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