Liberdade, dá-me luz em 1984

1 – A polémica instalou-se relativamente à comissão organizadora das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, liderada pelo professor e comentador Adão e Silva, que terá uma remuneração mensal perto dos 4500,00€ durante 4 anos, sem contar com a restante equipa de apoio. Pertenço à geração da liberdade e agradeço de coração a todos aqueles que permitiram que o nosso país seja uma democracia. Mas, mais do que comemorar, é precisar cumprir os objetivos da revolução dos cravos e no seu seguimento, do 25 de novembro. Há todo um país por cumprir, desde o desenvolvimento económico, à justiça ou à igualde de oportunidades. Por isso, que o Governo perca menos tempo/dinheiro e faça uma cerimónia digna, sem grandes excessos, e mais na ação concreta na melhoria das condições de vida dos portugueses.

2- Sobre o pretexto dos direitos digitais e do combate à desinformação, foi aprovada na Assembleia da Republica uma lei que prevê à atribuição de selos de qualidade a entidades “fidedignas” tutelado pelo Governo, abrindo a porta, no final da linha, a que seja o estado a dizer a todos nós o que é verdade ou mentira nos conteúdos partilhados nas redes sociais. Creio que a liberdade e a democracia saem prejudicadas com esta nova lei, sendo uma arma ou meio facilmente utilizado pelos governos que queiram impor a sua verdade e não a verdade efetiva, associado normalmente a regimes autoritários e que agora estão ao dispor do um governo dito “democrata”, lembrando o lápis azul ou o ministério da Verdade do Romance de George Orwell “1984”.

3- Antes da pandemia, o Mosteiro da Batalha recebia cerca de 400 000 visitantes ao longo do ano, sendo o 3º monumento da Direção Geral do Património Cultural (DGPC) com mais visitantes, sendo então uma importante fonte de receita para o Ministério da Cultura. Assim, é transtornante e dificilmente compreensível como o Governo e a DGPC não revolve o problema da falta de iluminação do monumento, que se arraste há imenso tempo, não trazendo a dignidade e beleza que o Mosteiro tanto merece. O Município da Batalha já propôs liderar o projeto para a iluminação exterior do monumento e apresentar uma candidatura aos fundos europeus de forma a resolver o problema. Estará o governo à espera da receita da Raspadinha do Património?

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