Nunosantismo ou Gonçalvismo?

Parte do pós 25 de abril de 1974, por ocasião do PREC – Processo Revolucionário em Curso, ficou conhecido como o período do “gonçalvismo”, decorrente do nome do então Primeiro-Ministro, Vasco Gonçalves, cuja governação ficou marcada por uma clara intervenção na vida económica do país, onde a estatização e coletivização eram palavras de ordem. Nessa ocasião o modelo que inspirava a nação portuguesa era o modelo soviético, com as características “democráticas” que lhe eram conhecidas.

Na vida política atual parte do Partido Socialista e da “esquerda caviar” portuguesa anda há anos a alimentar a ala “nunosantista”, liderada por esse “ex – jovem turco”, atual ministro das infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Ora, desde que é ministro, que Pedro Nuno Santos procura constantemente afirmar-se no seio governativo, na máquina socialista e no país. Porque o seu foco é só um: ocupar o lugar de António Costa na liderança do PS.

Esta semana o senhor ministro voltou a brindar-nos com mais um episódio desta sua saga de protagonismo que, como já nos vem habituando, resvalou para o autoritarismo.

O “número” que fez com o CEO da Ryanair, Eddie Wilson, mais do que revelador das suas tendências autocráticas e estatizantes demonstra o desrespeito que tem perante as instituições, a separação de poderes e a liberdade de iniciativa económica.

Vejam só, o CEO da companhia irlandesa cometeu a blasfémia de emitir a sua opinião sobre a estratégia que o governo definiu de apoio à TAP e, vejam só, fez uso dos mais elementares direitos, existentes em qualquer espaço democrático, que foi recorrer às instâncias judiciais para fazer valer as suas pretensões. Apresentou queixa no Tribunal Geral da União Europeia, o que sendo Portugal uma república democrática e a União Europeia uma organização democrática, mais do que ser algo perfeitamente aceitável, é um direito fundamental de qualquer pessoa singular ou coletiva.

A atitude do senhor ministro é digna de um qualquer regime pouco democrático e, para além de desprestigiar Portugal, prejudica efetivamente o país, já que passa para fora a mensagem de que os investidores, neste caso os estrangeiros, são cá hostilizados e humilhados.

Se com António Costa e a sua frente de esquerda o sentimento que vigora no país é que o governo faz uso da máxima “quero, posso e mando”, imaginem o que seria com Pedro Nuno Santos, esse bem menos moderado e bem mais fundamentalista. Nem é bom pensar!

São também este tipo de atitudes de quem está no poder que alimentam o descontentamento dos cidadãos e o crescimento de fenómenos populistas e radicais.

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