Cimeira UE Índia: Uma oportunidade para Portugal

As duas maiores pontes europeias com a índia são Portugal e o Reino Unido. Com o Brexit e a saída do Reino Unido da União Europeia, Portugal tornou-se o aliado europeu mais próximo da União Indiana. Com o Reino Unido na União Europeia, era através da Commonwealth que este liderava a relação entre ambos os lados. Temos que nos recordar que foi em 2000, durante uma presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que se realizou a primeira cimeira UE-Índia, em Lisboa. Na semana passada, no Porto, uma nova cimeira reatou as negociações comerciais entre ambas, paralisadas há vários anos.

Esta foi uma alternativa, que para a UE e para a Índia, revelou a procura de alternativas à dependência chinesa. Para Portugal, foi uma oportunidade para melhorar uma relação histórica com mais de 500 anos. Portugal tem assim a porta aberta para desempenhar a ponte entre a Índia e a Europa. Esta cimeira enquadrou-se numa das grandes prioridades da presidência portuguesa, que consistiu em reforçar a autonomia estratégica de uma Europa aberta ao mundo, neste caso com a região do Indo-Pacífico em foco.

Foi também, um dos grandes objetivos estabelecidos pela presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que o combate à covid-19, as vacinas, a cooperação no setor digital, a parceria para a conectividade, a ação climática e as grandes questões internacionais e regionais fossem debatidas num diálogo político entre os dois parceiros estratégicos. Contudo, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, não marcou presença na reunião fisicamente, tendo participado por via remota, devido ao agravamento da situação pandémica no seu país.

Os líderes europeus estão agora abertos a novos caminhos de cooperação, através, por exemplo, do lançamento de uma parceria que visa promover a colaboração em matéria de transportes, energia e transição digital. A EU é, neste momento, o maior parceiro comercial da Índia e o segundo maior destino das exportações indianas, tendo o comércio entre os dois territórios aumentado 72% na última década. Atualmente há mais de 5 mil empresas europeias a operar na Índia, responsáveis por mais de 1,5 milhões de empregos diretos e 5 milhões indiretos.

A Índia é a sétima maior economia do mundo, em Produto Interno Bruto Nominal, a terceira em paridade de poder de compra e a terceira mais desenvolvida da Ásia, atrás do Japão e da China. O desenvolvimento económico indiano está entre um dos maiores do mundo, e atualmente tem um crescimento anual do PIB em cerca de 10%.

A Índia é o segundo país mais populoso do mundo, o sétimo maior em área geográfica e é a maior democracia do mundo. Mas neste momento a Índia é o segundo país mais afetado do mundo pela pandemia, somando agora um total de quase 22 milhões de casos. O resultado da cimeira foram os temas que a UE vai por em prática com a Índia, que vão envolver várias áreas, que para além do comércio, do investimento e da conetividade, irá ter em conta o respeito pelos direitos humanos, o multilateralismo, a cooperação científica e tecnológica, a migração e a mobilidade.

Esta foi sem dúvida uma grande aposta, a nível externo por parte da União Europeia e Portugal. A Europa tem que ampliar o foco para uma abrangência de países muito mais vasta e vibrante do ponto de vista económico.

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