47 anos de Democracia

No passado domingo os portugueses festejaram a revolução que restituiu a Liberdade e implementou a democracia em Portugal. Numa altura tão importante como a de hoje, uma vez que os discursos de ódio e de segregação da direita e da esquerda radical voltam a surgir.

Mas, festejar os valores de abril e de novembro não pode ser mais importante do que aplicar nas políticas quotidianas do nosso Estado esses mesmos valores. Presentemente Portugal passa uma crise sem precedentes, na medida em que, o homem médio deixou de acreditar nas instituições e os especialistas falam no desaparecimento do Ministério Público como uma Magistratura.

Assistimos, neste ano, a um dos mais importantes “julgamentos” que colocou à prova 47 anos de democracia e, onde, apenas a população conseguiu ficar desacreditada do funcionamento das instituições.

Era nosso dever, e, em particular, do poder legislativo e executivo, garantirem as ferramentas para que, o poder judicial pudesse julgar de forma correta os prevaricadores e os corruptos que exerceram esses mesmos poderes públicos.

Urge simplificar o sistema e garantir que os detentores dos cargos públicos são efetivamente pessoas dotadas de competências, técnicas, científicas, morais e éticas para o desempenho dessas funções. Portugal tem de terminar com o carreirismo e o amiguismo político. É necessário deixar de legislar em função do caso concreto e passar a discutir ideias e visões de Estado.

A tudo isto, e enquanto se discute a quem pertence a liberdade e a organização de um cortejo, os jovens lutam para adquirirem a sua independência e autonomia, uma vez que a geração que os critica de serem dependentes e os chama de qualificados, recompensa essa qualificação com umas belas palmadas nas costas. Só podemos concluir que as prioridades dos nossos líderes políticos só podem estar invertidas.

Finalmente, em 47 anos de democracia verificamos ainda que a qualidade dos políticos portugueses tem, efetivamente, de melhorar. A mudança que hoje urge fazer não é de sistema político, mas da qualidade e da formação dos detentores de cargos públicos. Isto porque no último ano assistimos o Estado a falhar em tudo o que de mais elementar lhe cumpre fazer, proteger os seus cidadãos, legislar e fiscalizar.

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