Mas.... E quando o COVID acabar?

É urgente reinventar a forma de agir e pensar o sector social.

A importância da economia social e solidária já era relevante no Portugal anterior à pandemia, tem assumido nos últimos anos um peso crescente muito significativo na economia nacional.

Com a pandemia, a importância da economia social e solidária cresceu ainda mais, na medida em que o grupo de maior risco está incluído neste segmento. Apesar da capacidade de resposta das instituições aos novos desafios ter funcionado como amortecedor do impacto que a Covid-19 teve nos utentes, nas famílias e na sociedade, é crucial reinventar a forma de agir e pensar este sector.

A pandemia está a conduzir estas organizações e consequentemente as suas direções para um caminho bastante desafiador, até porque, em vez de responderem apenas às necessidades daqueles que servem, também enfrentam dificuldades dentro de portas. Colaboradores e voluntários destas instituições são diretamente afetados, expostos ao cansaço físico e emocional, muitas vezes até sendo vítimas desta nova doença. No entanto, e considerando que consequentemente se agravam as dificuldades outrora existentes, as Estruturas Residenciais, os Serviços de Apoio Domiciliário, o Salvamento e Socorro e todas as outras respostas sociais e comunitárias continuaram na linha da frente a dizer PRESENTE.

Apesar de por vezes se sentirem confusas com a constante evolução das regras e diretrizes e com pouco apoio da Segurança Social e do Estado Central, que não olham para estas instituições, utentes e colaboradores como merecem, todas elas reagiram celeremente, substituindo-se ao estado, adaptando-se e respondendo à altura dos desafios e das necessidades impostas. No entanto, não deixaram de notar algumas preocupações, em particular, as grandes responsabilidades que, forma voluntária, estas associações e as suas direções tem de gerir. Desde o orçamento elevado, mas muito apertado, ao elevado corpo técnico que se traduz num elevado número de preocupações e responsabilidades, às cargas burocráticas e fiscalizações por parte de diferentes entidades e como se não bastasse, ao facto de muitas vezes não conseguirem dar resposta a todas as solicitações, tendo em algumas circunstâncias listas de espera ou procura por valências que ainda não dispõem.

Para agravar ainda mais estas condições, o impacto de verem algumas das suas respostas sociais fechadas (creches, jardins de infância, centros de dia, SAD, entre outros) e de não terem a receita extra dos eventos organizados pelas autarquias ou promovidos pelas próprias instituições, rapidamente se transformou numa ameaça à sua própria sustentabilidade financeira e organizacional.

O grande apoio das autarquias,  e a cooperação entre diferentes instituições, tem sido alvo de reconhecimento por parte destes agentes. Juntos, tem dado resposta de forma muito eficaz o que permite fortalecer a capacidade de resposta às necessidades dos seus territórios.

Trabalhar mais em rede passou a ser uma nova realidade no setor social, acelerada pela pandemia. As instituições tornaram-se mais eficientes e mais cooperantes entre si. Para o futuro, é importante que as instituições públicas, privadas e sociais continuem a trabalhar em rede, de forma a obter respostas mais eficazes.

Pese embora todas as dificuldades do momento, graças á notável atuação das Instituições de âmbito social e comunitário, e por toda a articulação com as autarquias, podemos confiar que o cenário catastrófico que se anunciara foi e será mitigado, pois estamos certos que permanecerão resilientes a lutar contra as consequências e a continuar a prestar serviços dignos e de alta qualidade a todos os que procuram servir. Nessa circunstância é oportuno reconhecer o trabalho de todas estas instituições, executivos, direções e colaboradores pelo excelente trabalho que tem vindo a desenvolver na nossa comunidade.

Mas…. E quando o COVID acabar?

Será importante e preponderante  que o setor social e solidário consiga responder aos desafios para a construção de um Portugal pós-Covid-19: o planeamento, a liderança, a gestão dos recursos humanos, a cooperação, a medição do impacto social, a inovação e a sustentabilidade nas instituiçõe.

Esperar-se-á do estado comprometimento com o setor social, disponibilizando soluções financeiras que permitam investimentos em melhorias das respostas ou equipamentos, mas também em fazer crescer pessoas e ideias, criar negócios, gerar emprego e, acima de tudo, criar valor para a sociedade. Promover a igualdade de oportunidades e uma sociedade mais inclusiva e próxima deverá ser a missão num Portugal pós-Covid-19. 

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.