One Step further?

“Hoje é um grande dia para a ciência e a humanidade”. Foi desta forma que o CEO da Pfizer, Albert Bourla, acordou com um sonho bom Portugal e o mundo na passada segundafeira depois de tantos meses a vivermos um autêntico pesadelo à escala mundial.

Esta notícia, particularmente ridente, não poderia ter surgido em melhor altura. Neste momento vivemos em quase todo o mundo uma 2ª vaga deste vírus com menos de um ano que, de acordo com o Center for Systems Science and Engineering (CSSE), matou já quase 1 milhão e 300 mil pessoas, tendo infetado mais de 51 milhões em todo o mundo.

Segundo comunicado oficial, a eficácia desta vacina, desenvolvida pela Pfizer e a alemã BioNTech, ascendeu aos 90% durante a 1ª avaliação da última fase de ensaios clínicos antes do pedido de aprovação pelas autoridades de saúde. Motivo para maior aprazimento é o facto se tratar de um ensaio clínico em grande escala, contando com a participação de 43 mil pessoas em 6 países diferentes e, por isso, com elevada credibilidade.

Merece ainda relevância o facto de a parceria entre as farmacêuticas prever que, caso reunidas as condições para o início de produção em massa num curto espaço de tempo, sejam produzidas até 50 milhões de doses ainda este ano e 1.3 mil milhões em 2021. Esta informação levou imediatamente a União Europeia a reagir, havendo já acordos em cima da mesa para a aquisição de 300 milhões de doses.

Não menos importante, esta notícia veio ainda abrir uma janela de esperança nos mercados financeiros, causando uma valorização generalizada dos diferentes índices bolsistas. Desde logo, como expectável, assistimos a uma valorização das ações das responsáveis pela boa-nova, com a Pfizer a valorizar em quase 8% e a BioNTech a assistir a um aumento do seu valor acima dos dois dígitos. Felizmente este sentimento de confiança acrescida, por parte dos investidores, estendeu-se por todas as geografias. O S&P 500 arrancou a subir 3.6% e teve lugar o impulsionamento das principais bolsas europeias como a de Londres e Paris com uma subida a rondar os 5% e 8%, respetivamente. Portugal não fugiu à regra, vendo também o principal índice da bolsa de Lisboa, PSI 20, a valorizar em cerca de 3 a 4%. A previsão de um aumento futuro da procura fez ainda subir a cotação do petróleo.

Com esta animação toda nos mercados, os setores mais afetados pela pandemia foram os que efetivamente registaram uma maior valorização, nomeadamente o turismo (aviação), retalho, consumo e imobiliário. Este pode ser o início do fim de uma crise inesperada, nunca antes vista que permitirá paulatinamente a recuperação de uma economia fortemente fragilizada. Contudo, os próximos desenvolvimentos estarão sempre dependentes da comprovada fiabilidade da vacina e do retorno à vida normal da civilização.

Neste momento, existem em todo o mundo 10 vacinas candidatas em fase final de testes. Ainda assim, urge refletirmos de forma antecipada sobre a necessidade de sensibilização da população para a vacinação em massa, uma vez que o ceticismo generalizado é justo e decorrente de toda esta situação.

Não sabemos se o pior já passou ou ainda estará por vir, mas definitivamente que estamos um pouco mais perto de ultrapassarmos esta crise.

Manuel Pachon David

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