O Presidente da República anda com as mamas de fora, a nós, dentro em breve, nem cuecas nos restarão para mostrar

As últimas semanas têm sido marcadas pelo teatro em torno do Orçamento do Estado para 2021. Pasme-se, toda esta situação, criada para nos distrair do que interessa, traz apenas a confirmação de que o comboio está, de facto, em descarrilamento.

E, novidade das novidades, ele vai mesmo saltar fora da linha a toda a velocidade.

Notemos uma coisa, e, abri os olhos – por tudo o que vos é mais sagrado –, ninguém sabe o que anda a fazer! Nem a Ministra da Saúde, nem o Primeiro Ministro e, muito menos, o Sr. Presidente da República.

Prova dada de que andam todos a cavar e a encontrar minhocas – coitadas – é o estado a que o nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) chegou. E não me venham com a história de que estamos a investir imenso no SNS, só porque é bonito dizer. Isto não é verdade nem se reflete naquilo que o cidadão DOENTE recebe.

Reparem, se não andassem todos perdidinhos, não tínhamos chegado a outubro com os hospitais de corda ao pescoço, sem saber onde colocar os doentes e, surpresa, com milhares de diagnósticos e consultas por fazer – nem falemos das cirurgias, não é?!

E nem se argumente que não houve tempo. Tiveram mais do que tempo! Para que é que fecharam o país em casa? Não era para preparar o SNS, para que os hospitais aguentassem?

Hoje, no debate do Orçamento do Estado para 2021 – sim, outra vez o Orçamento – ouvimos o Primeiro Ministro a dizer a uma deputada – não importa quem – que dissesse a verdade.

Pois bem, este senhor que se arroga constantemente no direito de exigir aos outros a verdade, mente – não com todos os dentes que tem na boca – mas, mente com todos os ossos que tem no corpo!

E não mente apenas quando diz seja o que for! Mente por omissão, impreparação e irresponsabilidade!

Mais grave do que nos tentar enganar cada vez que abre a boca e achar que somos todos tolinhos, é a falta de trabalho sério, o desrespeito pelos votos de todos aqueles que votaram nele e a falta de sentido de Estado. Pois, meus caros, sentido de Estado não é ameaçar com crises políticas ou desdizê-lo – como dizem as crianças – por “brincadeira”. Sentido de Estado e de dever público era, em março, ter-se sentado à mesa com especialistas qualificados – não com os “melhores amigos” – e ter preparado um plano de ação.

Era ter precavido que o SNS, num país com um palmo de tamanho, são todas as instituições de saúde existentes e que, espantai-vos, se podia ter recorrido à fala com todos para encontrar a melhor solução.

Contrariamente ao que faria uma pessoa normal, com o mínimo de senso comum, recorreu-se a tudo menos especialistas, fizeram-se asneiras atrás de asneiras e, hoje, é o que temos.

E sabem o que temos?

Uma economia completamente destruída – sim, podem dizer que estou a exagerar, espero que tenham razão e, acreditem, vou adorar dar-vos a taça deste tópico – empresas asfixiadas, pessoas em pânico e um caminho sem fim à vista.

Enquanto isso, o encostado e companhia pavoneiam-se com ar de superioridade moral como se fizessem um favor a alguém.

Um segredo que eles parecem não saber é que os membros do Governo e, até, o Presidente da República são servidores públicos. Eles estão lá para servir o povo que lhes paga os salários, entre outras regalias amplamente debatidas e conhecidas.

Não estão lá para nos fazer um favor. Nós é que lhe fazemos um favor porque os mantemos lá – lembrem-se disto no futuro, o Governo está lá porque todos nós permitimos.

E, a culpa é só nossa que um Presidente da República se arrogue no direito de andar a fazer espetáculos deprimentes na via pública e em direto para todos os jornais, mas depois se escuse a fazer o trabalho que lhe compete e a pedir a fiscalização da constitucionalidade das normas que o Governo faz surgir amiúde e que limitam os nossos direitos.

Sim, entre outros, o Presidente da República pode dizer àqueles senhores, com sintomas graves de ditadores, que se mantenham ao abrigo da, ainda, Nossa Constituição.

Enquanto Presidente da República a última coisa que eu lhe queria ver era pele, ou outro que não uma roupita completa. No entanto, temos-lhe visto pele a mais e trabalho a menos.

Para terminar e visto que estamos a começar a planear o próximo ano, espero que, finalmente, estes irresponsáveis não esperem para destruir – ainda mais – o que ainda temos. Parem de agir como se fossemos um país cheio de possibilidades económicas e cujas empresas aguentam tudo.

Não nos esqueçamos de uma coisa, são as empresas – pequenas, médias e grandes – que geram empregos em Portugal. Caso continuemos a enterrá-las vamos todos ficar sem trabalho, e sem trabalhos, meus amigos, não há dinheiro.

Não havendo dinheiro, seremos nós a tirar a roupa e da maneira que eles andam, nem as cuecas nos vão deixar.

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