6 meses de COVID-19

2 de março de 2020. Um médico de 60 anos foi o primeiro infetado pelo vírus Covid-19 durante uma viagem a Itália. Hoje, dia 2 de setembro de 2020, passaram exatamente 6 meses desde este primeiro caso. O que mudou em Portugal devido à pandemia?

Inúmeros setores de atividade viram um encerramento forçado das suas atividades ou limitado. Todos nós nos recordamos que durante o Estado de Emergência só podíamos saborear uma refeição confecionada por um restaurante em regime take-away, que a máscara era obrigatória em espaços fechados, que existia uma distância mínima de segurança de 2 metros e que o gel desinfetante era o nosso melhor amigo. Os alunos das escolas, desde o ensino primário até ao ensino superior, passaram a ter aulas via plataformas online, assistiram ao renascimento da Tele-Escola e, em casos específicos, viram os seus estágios curriculares serem suspensos e/ou cancelados. Inúmeros trabalhadores conheceram a realidade do lay-off simplificado ou a do trabalho remoto, onde partilhavam o computador e a ligação de internet com os filhos durante o período de aulas. Outros, tiveram a infelicidade de perderem o emprego. Inúmeros municípios tentaram diminuir os efeitos da pandemia nos seus territórios, seja através de apoios para as famílias, empresas ou coletividades como através da desinfeção de espaços ou no apoio com meios materiais e humanos a organizações de saúde no combate à pandemia.  Os trabalhadores dos supermercados foram vistos como heróis, os médicos apelidados de “cobardes” pelo Primeiro-Ministro e os enfermeiros reconhecidos pelo país como membros essenciais ao combate a este vírus. Também assistimos a um aumento das listas de espera das especialidade pois para o SNS, neste momento, existe muitas poucos patologias para além do Covid-19. Os transportadores de doentes viram as suas receitas reduzirem de forma drástica e as suas despesas aumentarem na mesma forma. Na justiça, a suspensão dos prazos judiciais demorou o seu tempo a ser decretada e o país assistiu a uma libertação maciça de reclusos por razões humanitárias, sem criar a devidas respostas sociais para quem não tinha condições nem família à espera dos portões. Na agricultura, os portugueses começaram a voltar à plantação de hortícolas e viram a Ministra da Agricultura dizer que o Covid-19 poderia ter “consequências muito positivas” para Portugal. Os níveis de poluição no rio Douro desceram para números só conhecidos na década de 80. Em matérias europeias, os países da União necessitaram de se entenderem sobre a forma de apoio da Europa aos seus cidadãos, onde era a derradeira prova de fogo para a sobrevivência do projeto europeu como o conhecemos. Para além disso, assistimos a quedas brutais dos Produtos Internos Brutos por toda a Europa. Fronteiras foram fechadas, estados de emergência declarados, listas negras criadas, quarentenas impostas, algumas contestadas em tribunal. O turismo necessitou de se virar para dentro e, nos últimos tempos, começou-se a virar para mercados muito desejados. Pelo meio, temos uma Festa do Avante com mais de 16 mil pessoas por dia e uma extrema direita a crescer em tempos de ausência de oposição parlamentar por parte dos partidos moderados.

Muitas mais coisas aconteceram e muitas mais irão acontecer. Algumas medidas vão passar a ser usuais no pós-pandemia, outra passarão a ser tidas como inúteis e castradoras do novo desenvolvimento económico, social, cultural e político. Uma coisa é certa: nunca mais iremos ser iguais ao que éramos.

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