45º C

O mundo mudou. Contesta-se a ideia de comparar a atual situação de pandemia provocada pelo alastramento do COVID-19 a um cenário de guerra. Discordo, o inimigo é conhecido e precisa de ser combatido com todos os recursos ao nosso alcance. Não temos espingardas ou militares na linha da frente. Desta vez são os médicos, enfermeiros, governantes, autarcas, bombeiros, forças de segurança, trabalhadores dos setores essenciais, industriais e sociais, que direta ou indiretamente,  lutam interruptamente para salvar vidas e manter a nossa economia viva, contra um inimigo forte e poderoso.

Diz-nos a história, que depois de uma guerra, grandes transformações ocorreram nas sociedades. Desta vez não será diferente, provocando inevitavelmente mudanças na sociedade tal como a conhecemos. Desde logo pelas óbvias transformações nas formas de trabalhar, de viajar ou de conviver. Repensaremos o papel do Estado na defesa das suas populações e do seu território, tal como cada um de nós definirá novas metas e prioridades na sua vida pessoal. Mas sobretudo, deveríamos utilizar o tempo em que vivemos para realizar as mudanças necessárias para uma sociedade verde e amiga do ambiente, sem decorar o desenvolvimento económico.

45 graus foi a temperatura registada este sábado, dia 19 de Junho, na Sibéria, um dos locais mais frios do nosso planeta, de acordo com dados da Direcção-Geral da Indústria da Defesa e do Espaço (DEFIS, na sigla em inglês), da Comissão Europeia. Evidências não faltam que comprovem que é preciso virar a página. Combater as alterações climáticas são um dos principais problemas que o mundo enfrenta. Mais do que nunca, é necessário promover um consenso internacional na implementação de medidas justas e equilibradas, num processo liderado pelos governos, mas também com responsabilidade nas empresas e na sociedade civil.

E nesse aspeto, a União Europeia pode e deve liderar esta mudança de paradigma, direcionando os apoios aos estados-membros amplamente discutidos nos últimos dias para a I&D de novas tecnologias, apoiar as empresas na eficiência energética,  incentivar a produção de energia limpa e promover na sociedade hábitos de consumo sustentáveis.

Que a atual crise social e económica que atravessamos possibilite uma mudança de 180º e não percamos mais uma oportunidade (talvez a última) de mudar.

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