O projeto europeu vale a pena!

Quem não se recorda do dia 23 de junho de 2016? As notificações dos jornais no telemóvel, os milhares de partilhas nas redes sociais, o alvoroço instalado. Tinha-se realizado o referendo que, por vontade dos cidadãos, determinou a saída do Reino Unido da União Europeia, iniciando assim o “Brexit”.

Nos últimos três anos, temos assistido a avanços e recuos neste processo, com grande dificuldade na criação de consensos para que a saída do Reino Unido efetivamente aconteça. Os desenvolvimentos mais recentes são a aceitação pelo Conselho Europeu, a 10 de abril de 2019, do pedido de prolongamento do prazo até outubro, obrigando assim o Reino Unido a ir a votos nas próximas eleições europeias, já no próximo mês de maio.

Esta decisão de abandono do Reino Unido tem levado alguns líderes partidários, de outros países europeus, nomeadamente, de França e Itália, a colocar em causa os valores da União Europeia, incentivando a realização de referendos sobre o mesmo tema. Esta onda antieuropeia, obriga-nos a uma profunda reflexão sobre qual tem sido o caminho europeu nas últimas décadas, e qual o valor para o futuro que reconhecemos a esta união.

Isto porque, apesar da complexidade de razões que levaram a maioria da população do Reino Unido a querer a saída do país da comunidade, sem dúvida que o desconhecimento real das vantagens de pertença à união e descrença no projeto europeu foram determinantes.

Por isso, nunca é de mais recordar todo o desenvolvimento que tem ocorrido nos últimos oitenta anos, desde a fundação da União Europeia.  A Europa onde se matava em nome das nacionalidades, das etnias, das culturas, deu lugar a um continente onde existe um respeito pela diferença e uma integração e coexistência entre diversas culturas ímpar.

Um exemplo claro desta realidade é o Programa Erasmus+, a maior network de ligação entre diferentes nacionalidades e pessoas. Permite aos jovens de universidades europeias estudarem durante um período num outro Estado membro, falar outras línguas, conhecer outras culturas. Há dados que demonstram que  cerca de 67% dos jovens dizem que os programas e iniciativas europeias, como o Erasmus+, os fazem sentir mais europeus.

Para que programas como o Erasmus+ ou o Corpo Solidário Europeu continuem a ser um sucesso, é fundamental torná-los acessíveis a todos os jovens. Por exemplo, não é aceitável que haja jovens a não fazer Erasmus devido a restrições financeiras na atribuição de bolsas.   Também a comunicação do trabalho, as conquistas realizadas pela Europa deve ser explicado, para que todos os cidadãos reconheçam a importância que tem, no nosso dia a dia, o trabalho de todas as instituições europeias.

Só através do envolvimento de todos os cidadãos poderemos combater um dos maiores obstáculos da democracia: a abstenção. Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu (2014) 66,2% da população portuguesa não votou, o que significa que mais de metade dos portugueses não consideraram relevante ter uma palavra a dizer sobre quem os representa no Parlamento Europeu.

Infelizmente, há uma sensação generalizada de distanciamento que os cidadãos sentem de Bruxelas. Pela apatia em relação à política e o desconhecimento do trabalho que a União Europeia, os deputados europeus realizam e a influência que tem no dia a dia de todos os portugueses.

Cabe, por isso, a cada um de nós, dos que já conhecem os benefícios de ser parte desta União, a missão de transmitir esta mensagem de que o projeto europeu vale a pena, que faz a diferença no mundo e em cada país nas últimas décadas. A União Europeia é um projeto de gerações. Num mundo globalizado, a resposta aos grandes desafios é europeia.

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