25 de abril de 1974 e o 25 de abril de hoje

Ontem celebrámos um dia muito importante. Se hoje todos nós escrevemos e podemos expressar a nossa opinião sem esta ser censurada deve-se à luta que existiu durante muitos anos, que pode ou não ter culminado no dia 25 de abril de 1974.

Ontem comemorou-se o 45.º Aniversário do 25 de Abril, uma data que merece o nosso respeito, a nossa memória, uma imensa gratidão e uma esperança de todos nós, desde o mais pequeno até ao mais graúdo.

O dia 25 de abril de 1974 foi marcado pelo fim de um regime ditatorial e o início da democracia. Apesar dos mais opostos pensamentos, este dia foi marcado por uma união que queria uma democracia em vez de uma ditadura, liberdade em vez de repressão, mais justiça social, melhores condições de vida e o fim da guerra colonial, trazendo assim quem estava nas colónias de volta às suas famílias, sinónimo de paz em África.

Até este dia muitas pessoas perderam a sua vida, a sua liberdade plena (foram presos) porque eram pessoas que tinham como desafio, ambição e causa lutar por um Portugal melhor. E hoje? Não teremos nós que continuar a lutar dia após dia para que estes direitos se mantenham e lutar por novos direitos e novas oportunidades, por melhores condições de vida e adaptadas aos dias de hoje?

Por isso, o 25 de abril de 1974 culminou sim no cumprimento de alguns dos objetivos essenciais como o fim da ditadura, o fim da repressão e o início da nossa liberdade, mas foi o início de um caminho que temos que trilhar todos os dias, pois cada vez mais vivemos num mundo global, digital, mais exigente, e que está a perder uma grande parte dos valores essenciais para vivermos em sociedade e em Paz.

Portugal superou muitos indicadores, na saúde, na educação, na habitação, nas infraestruturas bases, na redução da taxa de mortalidade infantil, na igualdade de género, no direito ao voto e na entrada na União Europeia. Portugal lutou e conquistou muitos passos, mas…. e agora? Estamos a perder parte do que superámos e a atingir metas negativas (atingimos a maior carga fiscal de sempre e o mais baixo investimento público da nossa democracia)?

Talvez perdemos uma parte por culpa de quem nos governa, mas outra por nossa quota-parte, a taxa de abstenção é elevadíssima, o que faz sentido nos dias de hoje? Abdicar de um direto que tanto custou conquistar. Deixar nas mãos dos outros a decisão? Onde cada voto conta para fazer diferença.

Ainda ontem, o professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República eleito pelos portugueses, dizia que os jovens de 1974 preferem a democracia mais imperfeita que a ditadura mais incensada.

Valeu muito este passo, do dia 25 de abril de 1974, dizia ontem o professor Marcelo e todos nós concordamos com ele, penso eu. Hoje ainda não nos sentimos realizados, mas mesmo assim, temos que agradecer a quem lutou durante décadas. Para, por exemplo, estes textos poderem ser publicados e nós participarmos nas decisões políticas…

Eu, como jovem de hoje, quero uma democracia que não se regule só pelo normativo constitucional, quero uma democracia com base em valores éticos e morais, uma democracia sustentável e que se dignifique cada vez mais a si própria. A política não pode ser uma coisa vista com maus olhos, tem sim de ser um instrumento ao serviço de todos, do bem geral, do respeito pelos direitos e promoção de dignidade humana.

Nós, jovens de hoje e adultos do amanhã, lutamos e lutamos muito. Fazemos parte da geração mais bem qualificada de sempre mas somos a geração eternamente adiada.

Nós, jovens, preocupamo-nos com os desafios do presente e os desafios do futuro, apresentamos proposta nas nossas terras e a nível nacional. Lutamos para que haja mais transparência e ética na política e que sejam aplicadas medidas para o combate à corrupção.

Nós, jovens, queremos ser competitivos no mundo de hoje e do amanhã, um mundo global, um mundo mais aberto, mais inclusivo, mais competitivo (hoje lutamos contra máquinas), um mundo que dialogue mais, um mundo que lute pela Paz global, que consiga acolher hoje os refugiados, mas que amanhã não seja preciso e evite uma 3ª Guerra Mundial.

Um mundo que não seja preciso erguer novos muros, mas sim derrubar os que existem, pois, viver com medo será ter medo do amanhã, do estranho, do diferente e que originará um mundo menos global que o atual.

Somos uma geração que se preocupa com o futuro, apesar de muitos o fazerem de várias formas e todas elas diferentes, todos nós temos opinião, todos os dias nós, jovens, contribuímos, nem que seja na associação onde jogamos futebol, praticamos natação, na associação cultural onde aprendemos a tocar um instrumento ou a cantar, ou até mesmo atrás do nosso ecrã de telemóvel ou de computador, por isso não nos venham dizer que somos uma geração despreocupada porque não o somos.

Lutamos por mais justiça social! Mas a justiça social envolve muito do que já referi, envolve o que temos direito com base na nossa Constituição da República Portuguesa. Mas, olhando à nossa volta, parece que tudo está a ficar mais degradado, na saúde, na educação, … e a nossa contribuição e esforço financeiro a atingir recordes. E agora pergunto, atingimos a maior carga fiscal de sempre para quê?

Outras das minhas preocupações, e talvez dos jovens de 25 de abril de 2019 é como vamos ser um mundo sustentável, com a economia a crescer, com maior justiça social e ainda como combater a diminuição da taxa de natalidade em Portugal?

One Comment

  • Ilidio Almeida diz:

    Trousseste a luz neste discurso assuntos de extrema importancia. Responder as estas questões cabi a todos como uma nação. Eu gostaria de ver estes assuntos serem mais debatidos nas grandes mesas de debate do país.

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