Abril, mês da prevenção dos maus tratos na infância... vamos fazer diferente?

Serei o que me deres… que seja amor” é este o slogan que a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das crianças e jovens definiu para este mês de abril, mês da prevenção dos maus tratos na infância.

O trabalho das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens incita a um trabalho multidisciplinar. A complexidade das problemáticas, assim como a abrangência da sua abordagem, leva forçosamente a um tratamento sistémico, onde a família tem de ser vista como um todo. O tempo das crianças e/ou jovens não é igual ao tempo dos seus cuidadores. Para que uma intervenção seja eficiente, a família deve ser o cerne de todo e qualquer dispositivo de intervenção. Cada família é única, e a sua singularidade deve ser trabalhada individualmente.

A intervenção junto das famílias de crianças e jovens em risco ou perigo visa o reforço das competências pessoais, familiares e sociais através de intervenções focalizadas e intensivas. Tendo em consideração a complexidade do trabalho que deve ser desenvolvido junto destas famílias, na articulação dos seus sistemas envolventes (familiar, institucional e social), nasce a necessidade de criar condições que agilizem o processo de comunicação e interação entre os diversos sistemas.

Muitas sinalizações advêm, com frequência, da incapacidade das famílias em responderem aos problemas que ocorrem nos seus contextos familiares que depois acabam por ser referenciados como estando em risco ou perigo, mediante a gravidade das situações. Esta situação tem subjacente uma vulnerabilidade e/ou incapacidade da própria família em (não) saber como resolvê-los. Há a necessidade de construir um procedimento que leve ao empoderamento da família vulnerável, ao fortalecimento dos seus laços familiares e à sua participação ativa na construção de alternativas viáveis, responsáveis e duradouras. A complexidade que carateriza este tipo de intervenção requer meios e recursos reconstrutivos dos vínculos que poderão estar fragilizados e da visão que a família tem de si mesma como núcleo protetor auto-suficiente.

As práticas de mediação têm constituído contributos inovadores em diversas áreas profissionais, despertando cada vez mais o interesse em diversos contextos de atuação. Atendendo às necessidades de reconstrução dos vínculos fragilizados e da visão que a família tem de si mesma como núcleo protetor, a mediação pode constituir-se como um recurso psicoeducativo na promoção do empoderamento pessoal e social das pessoas envolvidas. No contexto da intervenção com as famílias de crianças e jovens sinalizados como estando em risco ou perigo, todos os envolvidos, podem ser mutuamente beneficiários de um processo de mediação. Apesar da preocupação pelas necessidades de bem-estar das crianças e jovens ter vindo a ser cada vez mais objeto de maior atenção e ação, não raras vezes, o contexto familiar tem estado mais vulnerável à desproteção, bem como as necessidades de formação que os profissionais possuem a esse respeito. Neste sentido, revela-se importante e oportuno continuar a capacitar os profissionais que trabalham nos diferentes campos de atuação de um processo de promoção e proteção, de habilidades para trabalhar e interagir com as famílias na (re)constituição das competências parentais, criando espaços de maior implicação das próprias famílias no projeto de promoção e desenvolvimento das crianças e jovens sinalizadas.

A mediação, ainda que não seja resposta para todas as situações, poderá trazer um contributo positivo para estes contextos nomeadamente, na otimização partilhada das necessidades sentidas pelos diferentes intervenientes – profissionais, famílias, crianças e/ou jovens – através da promoção da interação e comunicação entre as partes. Dessa forma, será melhor garantida a educação, bem-estar e desenvolvimento integral das crianças e jovens. Evidencia-se, assim, a necessidade de inovar as práticas profissionais com vista a desenvolver novos modelos de prevenção, dos efeitos iatrogénicos destes contextos, na qualidade de vida das crianças e suas famílias.

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.