Que Europa querem os jovens?

O debate sobre a União Europeia foi relançado de forma dramática nos últimos anos pelo Brexit. No entanto, tem-se centrado mais na confusão política que se gerou no Reino Unido do que sobre os méritos ou deméritos da própria União Europeia. Infelizmente, a indiferença parece ser a palavra de ordem no que diz respeito à UE. A participação nas eleições ao Parlamento Europeu tem diminuído gradualmente desde a primeira eleição em 1974. Em 2014 perto de dois terços dos eleitores europeus optaram por não votar, o que mostra bem o afastamento entre a política europeia e os cidadãos.

Os motivos para este afastamento não são inteiramente claros. Poderá ser porque não acreditam que o seu voto pode mudar a orientação estratégica das instituições europeias, ou porque não é inteiramente percetível que muitas das políticas nacionais são de facto definidas a nível europeu. Mas o aumento contínuo da abstenção nos últimos anos, apesar dos esforços da UE para tornar as suas políticas mais transparentes e mais democráticas, é um sério cartão amarelo dos cidadãos às instituições europeias. A situação é ainda mais séria no caso dos jovens, que se estão a afastar crescentemente da política nacional e europeia.

Quer isto dizer que os jovens não se interessam por política? Nada mais errado. Os exemplos de mobilização são inúmeros e cada vez mais «europeus». A recente manifestação de estudantes na Europa contra as alterações climáticas mostra como estão atentos às questões fundamentais que de facto vão afetar as suas vidas no futuro. O que parece haver é um crescente desencantamento com a forma tradicional de fazer política, através de estruturas tradicionais.

É evidente que as instituições europeias e os governos nacionais têm de refletir seriamente sobre como é que podem atrair os cidadãos de novo para o processo eleitoral, que é a pedra basilar de qualquer democracia. Por um lado, do ponto de vista técnico, facilitar a votação através de meios tecnológicos mais avançados e mais cómodos. Mas mais importante do que isso é repensar de que forma podem os partidos e movimentos políticos responder às aspirações dos cidadãos.

Os partidos são instituições importantes de representação dos cidadãos que procuram um equilíbrio entre o conhecimento especializado técnico e a transmissão dos desejos dos cidadãos que representam. Não se devem por isso limitar a ser megafones de uma vontade maioritária. No entanto, devem procurar envolver os cidadãos de uma forma mais direta, por exemplo, envolvendo as preocupações dos movimentos civis nas suas plataformas políticas.

Isto é especialmente importante na definição de políticas a nível europeu, que está aparentemente mais distante do pensamento diário dos cidadãos, mas é crucial para resolver problemas que dificilmente são tratados a nível nacional. Proteção do ambiente, desenvolvimento de novas tecnologias que necessitam de grandes investimentos em máquinas e em educação, abrir novos horizontes na educação e na experiência profissional em países diferentes são exemplos de preocupações dos jovens que podem ser melhor servidas por políticas europeias do que políticas nacionais.

E se muito já foi feito, por exemplo através do programa Erasmus, muito há para fazer para permitir que todas estas políticas estejam acessíveis a um número cada vez maior de jovens, sobretudo aqueles que têm menos meios financeiros. As eleições europeias que estão à porta são fundamentais para os partidos demonstrarem que ouvem essas preocupações. Mas são também a ocasião para os jovens fazerem ouvir a sua voz, votando nos partidos que melhor os representam. Este ano, votem!

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